"Mas...mas o que é isto??", clamavam os espectadores surpresos.
"Será seda?"
"Será uma fugidia bola de algodão?"
"Será um balão de hélio?"
Não...era uma vulgar bola de futebol ser pontapeada (ou deverei dizer acariciada) pelo negro panzer
Kiki.
Por vezes os frequentadores das bancadas das Antas, perante tanto deleite e brilhozinho nos olhos, perguntavam-se se estavam perante um comum esférico, tal era a leveza e suavidade do toque de bola de
Kiki, qual
Mogrovejo ou
Rui Costa.
Kiki era um carregador de piano. Não no sentido futebolístico, mas trabalhava mesmo no ramo de carregadores de piano. Carregava pianos. Tal actividade reflectiu-se em campo, onde a sua pujança não fazia muitos amigos de bisca lambida entre os adversários.
Muitos imitadores se seguiram e muitos protótipos o precederam. Pobres diabos como o também dragão
Emerson ou como o holandês
Gullit tentaram e não tiveram sucesso.
Ruud Gullit admitiria mesmo numa entrevista em 1995 que a sua carreira não passou de uma longa frustração: "Durante algum tempo pensei que era um grande jogador. Depois vi o
Kiki. Esquece, disse eu. Até o cabelo dele é mais fixe e luzidío. Vou cortar o cabelo e dedicar-me a treinador."
Quanto a
Emerson, a mágoa era diversa: "Toda a minha vida moldei o meu jogo pelo grande
Kiki. Este cabelo não é obra do acaso. O ponto alto da minha carreira foi quando assinei pelo Porto. Finalmente serei comparado com
Kiki, pensei eu. Mas ninguém se atreveu. Quis sair do Porto para Braga, mas só me quiseram em Inglaterra. Lá compararam-me uma vez ao
Kiki. Mas afinal era com a Kiki Dee, aquela que fez um dueto com o Elton John. Chorava todas as noites e dormia em posição fetal. Mas acho que esses tempos já acabaram."
Pobres diabos. Sorte a nossa que pudemos apreciar as tuas diabruras em campo.
o que seria do mundo da bola sem registos fotograficos?